9 de abril de 2011

Ele e eu

- Elizabeth?
- Não, sou eu.
Eu não acreditava que era ele. Não depois de tudo. Quanto tempo fazia? Um ano, talvez dois.
Meu corpo não se mexia, não conseguia abrir meus olhos, não conseguia fazer nenhum movimento.
A presença dele naquele lugar, ele, sua voz, seu jeito, sua forma, ele em todo.
Ele era minha criptonita, ele me enfraquecia, ele me deixava sem forças até para reclamar da sua presença.
Eu não acreditava que ele estava lá, ao meu lado, bem perto.
Logo agora que tinha acabado de reconstruir meu coração partido pela falta que ele me fazia.
E agora?
E o meu coração?
Minha mente trouxe de volta todos os momentos que passamos juntos, trouxe consigo o martelar do meu coração quando seu corpo estava colado ao meu.
Não queria sentir de novo, o que sentia quando era ele e eu, apenas nós dois.
Mas agora, eu não podia fazer nada, eu tinha que virar meu corpo, abrir meus olhos e olhar pra ele, eu tinha que fazer isso, eu era obrigada, eu tinha que presenciar a perfeição que ele era, eu tinha que aceitar que um dia ele foi meu e agora não é mais.
Quanto mais rápido eu fizesse isso, mais rápido terminaria a tortura, a angustia e a profunda dor no meu coração. Eu só esperava que aquele buraco em meu peito não voltasse, não queria sofrer como sofri quando ele se foi.
Virei meu corpo, abri os olhos e lá estava ele, mais bonito do que nunca.
Pode alguém já perfeito, ficar mais ainda?
Seus olhos estavam em mim, como se esperasse uma resposta pela minha atitude completamente estranha.
Eu apenas sorri e nada mais, até porque eu não conseguia emitir som nenhum, minha voz tinha sumido.
Ele deu um passo a frente, estendeu a mão pra mim, mas nada eu fiz, continuei onde estava, olhando em seus olhos, com o resto da esperança que tinha para descobrir a verdade, mas de nada adiantou, eu não tive nenhuma resposta para as milhares das minhas perguntas.
Ele parou, olhou pra mim e pelo jeito que fazia demonstrava perdão, arrependimento e um pouco de esperança para que eu o perdoasse pela atitude que tomara sem nenhuma razão.
Eu não conseguia pensar, eu não conseguia agir, estava paralisada e a única coisa que funcionava em mim, era o meu coração, que estava quase parando de tanta emoção.
Senti o rubor chegar, eu sentia minha pele ficando quente, sentia milhares de sensações, sentia que logo  estaria nos braços dele, mesmo não podendo.
Eu queria tudo que o envolvesse, o queria fragmentado, o queria por inteiro.
A voz apareceu dentro de mim, a voz que eu tanto temia, a voz que dizia para esquecer o passado e perdoá-lo, porque assim, aquela parte da minha vida feliz e alegre que perdi, voltaria.
Tentei esquecer a voz dentro de mim, tentei me desligar de cada elemento do meu corpo, tentei fazer minhas pernas caminharem em direção a ele, tentei fazer a voz voltar, posso dizer que consegui, mas não com tanto sucesso, ao invés disso, saiu um simples "oi" fino e baixo.
Ele sorriu com o meu modo de reagir a sua presença.
Caminhei até ele e parei quando podia com um simples gesto tocar em seu rosto.
Essa pequena distância que existia entre ele e eu desapareceu, com aproximação dele.
Ele quebrou as regras que prometeu, a regra que não me faria sofrer mais.
Colocou sua mão em meu rosto, acariciou minha pele e deixo uma lágrima escapar dos seus lindos olhos.
Ficamos assim por um tempo, em silêncio, um olhando para o outro relembrando os momentos especiais do passado, de como éramos felizes.
Se não fosse por ele tomar iniciativa, ficaríamos ali parados um olhando o outro por um bom tempo e sol acabaria indo embora, dando a vez para a enorme lua que iluminaria tudo.
- Você não mudou nada
- Digo o mesmo. Afirmei mesmo sem voz.
- Até hoje, eu não entendo porque fiz isso, não entendo como pude ser tão egoísta e destruir seu coração, com o meu orgulho inútil.
- Não tem problema, já me acostumei acordar todos os dias e não te ver e nem te ter.
- Se você pudesse me aceitar de volta, eu juro que não iria te ferir, porque eu não aguento mais viver em um mundo que você não faz parte, não aguento mais ficar lembrando os dias que éramos felizes, sendo que agora a única coisa que me resta são lembranças. Volta pra mim, volta para o meu mundo. Volta fazer parte da minha vida, como você fazia antes, volta a ser a razão de seguir em frente todos os dias. Perdoe-me por tudo que lhe fiz, eu só não sabia que não podia viver sem você.
Como eu podia negar um pedido desse, negar ao meu próprio amor, negar a minha felicidade, negar a minha vida.
Eu sabia que se não voltasse pra ele, aquela dor em meu peito voltaria e não iria mais embora, teria que aprender a conviver com a solidão, com a dor de estar só.
Eu tinha que voltar, eu tinha que o perdoar. Eu sabia que o amava mais do que tudo e não podia perder a chance de ser feliz de novo.
Sorri pra ele, peguei em sua mão, olhei em seus olhos e disse:
- Come negar ao amor da minha vida? Como negar a própria vida? Eu te amo e quero estar sempre ao seu lado.
E assim, nós dois voltamos de um rompimento que nunca era para ter acontecido.

Camila Maia

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