Assim que o meu amor foi embora de casa ontem, eu subi para o meu quarto, deitei em minha cama e fechei os olhos com esperanças de dormir, mas nada feito, ao contrário fiquei mais elétrica, ansiosa com o amanhã, ansiosa em saber como estaria o tempo, frio ou calor, chovendo ou não.
Eu nunca imaginei como era se casar, muito menos preparar tudo, decoração, vestido, casa, lua de mel, uma nova vida é planejada e tudo isso enlouquece quando só resta uma semana. Eu nunca parei para pensar como é estranha essa coisa de casamento, você dorme solteira num dia e no outro você vai dormir casada, é de enlouquecer a mente de uma pessoa que não está preparada psicologicamente para enfrentar uma nova vida, novos obstáculos, novas barreiras e uma nova família.
Eu lembro como se fosse hoje quando fui pedida em casamento, era dia 08 de Março, estava viajando com o meu namorado, estávamos na praia, num lindo pôr-do-sol, quando ele virou e me disse: Esses dias eu percebi que eu sou o homem mais sortudo do mundo e sabe por quê? Porque eu tenho você, porque eu tenho o seu carinho, a sua atenção, o seu afeto e a sua ajuda para conseguir tudo o que eu preciso, aliás, o que eu mais preciso é de você, do seu apoio todos os dias para não desistir da vida, do seu sorriso ao amanhecer, dos seus olhos aos meus quando acordo e vejo que você está ao meu lado. Eu percebi também que se um dia eu te perder, o meu mundo acaba, então eu não posso deixar você partir, deixar você sumir da minha vida, porque você é o motivo do meu coração não parar de bater, aliás, você é o verdadeiro motivo para ele bater mais rápido. E nessas horas que estamos juntos, que eu percebo que te amo mais do que tudo e de que todos e não posso deixar você partir, não posso deixar você andar em uma direção contrária a minha e é por isso que eu hoje lhe peço para considerar todas as brigas que tivemos todos os momentos tristes que passamos e aceitar com todo o amor o meu pedido de casamento, o meu pedido de ficarmos juntos por aquele instante que chamamos de sempre.
Quando escutei o que ele disse, simplesmente não tinha palavras para expressar o que estava sentido, eu só sabia que lágrimas escorriam em meu rosto e que minha mão espontaneamente foi em direção a mão dele, que segurava uma aliança linda, em formato oval, que prendia no centro uma safira, rodeada por diamantes pequenos que formavam uma aliança pequena e formidável. Ele colocou aliança em meu dedo e logo após deu suave beijo em minha mão que provava que estava confiante da sua decisão e da minha.
Essas lembranças que tenho de nós dois juntos reacendem de vez em quando do nada em minha mente e logo percebo que nós dois fomos feitos um para o outro e nada mais. Às vezes acho que ele pensa que ganhou o troféu, que saiu ganhando, mas na verdade, eu que ganhei, eu que fui sortuda tendo o comigo para sempre.
Quando contamos às nossas famílias nossa decisão, todos vibrarão de felicidade, comemoraram e isso só me deixou mais feliz, feliz por saber que todo mundo concordava com a nossa união.
Olhei ao relógio e notei que já era nove horas da manhã e que minha futura cunhada estaria em minha casa em questão de minutos. Arrumei o quarto, como uma forma de despedida, porque jamais iria dormir ali novamente e logo em seguida me arrumei, penteie o meu cabelo, que amanheceram sedosos e encaracolados, coloquei uma calça jeans velha e uma blusa de manga longa e meu velho companheiro de aventuras e jornadas longas o all-star. Quando tudo já estava feito, decidi tomar café da manhã, parei mais uma vez em frente à porta do quarto e olhei para aquele cômodo em que vivi vários momentos bons e ruins, momentos que marcaram que deixaram saudades de uma época em que a única preocupação era tirar nota azul na prova. Senti um sorriso se formando em meu rosto e logo deduzi que sentiria saudades dessa época. Fechei a porta do quarto e desci as escadas, fui em direção a cozinha, estava sem fome, mas tinha certeza que se não me alimentasse, passaria mal depois. E por fim comi cereal e tomei um gole de suco de laranja.
Quando minha futura cunhada chegou, pedi a ela que me desse um minuto e escrevi um bilhete para os meus pais, dizendo onde estaria que qualquer coisa era só ligar. Coloquei o bilhete ao lado do telefone e segui em direção a porta da minha casa, segurando a mão da minha cunhada que mantinha estampado em seu rosto o sorriso mais lindo do mundo que mostrava claramente que me ama.
Eu combinei de me arrumar em um salão de beleza perto da igreja que vou casar, assim tornava as coisas mais práticas de se realizar. Nesse salão estaria minha prima, que é a madrinha, minha cunhada que pediu para ser a dama de honra e minha futura sogra, minha mãe iria depois.
Quando cheguei ao salão e vi toda confusão da arrumação, borboletas apareceram em meu estômago, agitando, como se estivessem comemorando algum acontecimento.Puxaram-me pelo braço e me levaram até uma cadeira de couro, grande e confortável, até pensei que sentada ali eu podia descansar um pouco. Deixei que todos em minha volta tomassem conta de tudo, até de mim mesma, não estava em condições de me arrumar e conferir se tudo estava em ordem.
Depois de um momento, tudo ficou em silêncio, e aquilo me deu agonia, não sabia o que estava acontecendo, então resolvi abrir os olhos. Fui pega de surpresa quando olhei ao espelho em minha frente. Não era eu, não podia ser eu, o espelho refletia uma menina completamente diferente, uma princesa, ao contrário de mim, essa menina estava com os cabelos presos em várias tranças que começavam nas laterais, seu rosto era a perfeição, sua pele suave como a porcelana sofria contraste com a boca pintada de vermelho que chamava atenção e ao mesmo tempo demonstrava uma menina que virou mulher. Os olhos pintados de uma cor suave sobressaiam aos olhos claros.
Não tinha pensado em como ficaria no dia do casamento, o arranjo do cabelo, a maquiagem, para ser sincera deixei tudo isso por conta das pessoas responsáveis em me arrumar e não me arrependi até agora.
Não conseguia parar de olhar o espelho, era uma perfeição, e nem tinha colocado o vestido, que por sinal, é lindo.Tive um susto quando minha cunhada entrou em silêncio na sala com alguns arranjos e o vestido na mão, dizendo que já estávamos atrasadas e que meu futuro marido já estará na igreja me esperando no altar.
Quando escutei isso meu coração acelerou e meus olhos começaram a encher de lágrimas, mas logo as proibi de descer pelo rosto para não estragar a maquiagem.
Levantei da cadeira e fui em direção a minha cunhada, ajudando-a com os arranjos e o vestido. Tirei o vestido do saco que o escondia e protegia das demais pessoas e fui desabotoando botão por botão e imaginando que em poucas horas esses botões estariam sendo abertos pela pessoa que eu mais amo nessa vida.
Aos poucos fui me arrumando, primeiro coloquei a lingerie de casamento, como manda a tradição que tem que ser branco, logo após coloquei o vestido e virei de costas para minha cunhada abotoá-lo, sua mão fria me fez arrepiar e começar a imaginar como vou estar quando estiver a sós com o meu marido e ele estiver no lugar dela, desabotoando botão por botão.
O vestido é lindo, tem manga longa feitas de rendas importadas da Europa, que fecha a frente, carregado por pedras pequenas que formam uma cachoeira de pedrarias e rendas que descem pela cintura. O vestido compõe uma longa cauda lisa de cetim que conforme meus passos se ajeitavam mostrando firmeza e delicadeza.
O véu que cobre minha cabeça é de tule branco e fino que mostra claramente o meu rosto, preso a tiara de diamantes finos, cercados por topázios que se encontra no centro.
Estava começando a ficar aflita e então percebi que já estava na hora de ir para igreja, minhas pernas começaram a ficar bambas e minha cabeça a girar ficou tonta e me segurei nos braços da primeira pessoa que vi em minha frente e em poucos segundos todos naquele salão olharam pra mim, assustados e com medo de que algo acontecesse comigo. Depois do susto, da agitação em cima de mim, consegui acalmá-los e prossegui a porta do salão, claro com duas pessoas, uma de cada lado, para socorrer, caso eu passasse mal novamente.
Entrei no carro com cautela para não estragar o vestido, peguei o buquê e coloquei ao meu lado, fechei a porta do carro e respirei fundo. Minha cunhada, minha sogra, minha mãe, minha madrinha estavam vindo num outro carro. Meu pai estava me esperando na porta da igreja.Quando cheguei pude ver
meu pai na porta andando de um lado para o outro com as mãos para trás, seu rosto demonstrava medo, medo de sair alguma coisa errada e isso não me acalmava é claro. Então o carro parou em frente à escada e meu pai logo veio para me ajudar a sair. E de repente vejo várias pessoas falando ao mesmo tempo olha a cauda, o véu, cadê o buquê? Isso só me enlouquecia, tentei falar alguma coisa, mas som nenhum saía da minha boca. Fechei os olhos para ver se alguém percebia que eu estava enlouquecida, mas de nada adiantou.
- Vamos filha? Disse meu pai com a voz mais cautelosa que eu já vira. Nada eu disse e com um movimento leve dei um passo e então ele entendeu que isso era um sim. Ele pegou o meu braço com uma forma carinhosa e me ajudou a subir as escadas que tinham na frente da igreja, a porta estava fechada e com um estrondo a música começou a tocar e então entrou a minha sogra, depois a minha mãe e minha madrinha com seus respectivos companheiros, a minha dama de honra e que mais quicava do que ficava parada, ela deu uma olhada em mim e depois no vestido conferindo se tudo estava em ordem, ela arrumou o buquê em suas mãos e então entrou com sua dança lenta e graciosa, logo após seria meu pai e eu, meu corpo tremia, minha cabeça rodava e borboletas festejavam no meu estômago, tudo parecia um sonho e então a minha música começou a tocar, eu a escutaria de longe, também escolher a música “Protectors of the Earth – Two Stpes From Hell” para entrar na igreja não é nada chamativo. As portas se abriram e então com o pé esquerdo dei um passo e então 800 pessoas olharam diretamente pra mim com o sorriso no rosto, eu vi em algumas convidas lágrimas escorrendo pelo rosto, outros mandavam beijos e piscavam e faziam sinal de positivo. Depois de alguns segundos a única coisa que eu queria ver era o meu futuro marido que estava elegante em seu fraque no altar olhando pra mim. Senti lágrimas se formarem em meu rosto novamente e dessa vez eu não consegui bloqueá-las e então veio à tona, senti meu rosto ficar vermelho, claro que eu iria corar naquela situação, mas nada importava eu estava feliz sendo levada pelo meu pai para meu futuro marido.
Depois de dois minutos eu estava ao lado do meu amor que com suas mãos tirou o véu do meu rosto colocando para trás da tiara. Ele estava com um enorme sorriso e seus olhos brilhavam de tanta felicidade, eu sabia que ele também me amava e que estava feliz por estar ali comigo.
O pastor mandou todos sentarem e o silêncio reinou na igreja, ele começou a falar e por mais que eu tentasse escutar alguma palavra que ele dizia não conseguia meus olhos estavam compenetrados no meu amor. Senti o pastor dar um pigarro e então entendi que era à hora de dizer sim e foi o que eu fiz e logo após meu marido desde então disse sim. Algum tempo depois colocamos a aliança um no outro, fizemos o juramento e para finalizar o pastor disse podem se beijar e foi o que fizemos, por um segundo eu esqueci que tinha 800 pessoas nos olhando e pigarros começaram a aparecer como forma de protesto, com muito custo me afeitei do meu marido e olhei para todos em volta.
Fomos então cumprimentar os padrinhos e os nossos pais, minha mãe não continha as lágrimas em seu rosto e meu pai não passa do “eu te amo”, minha prima era alegria pura e seus olhos quase domados por lágrimas, após o cumprimento meu marido e eu andamos de braços dados em direção a porta da igreja onde já estavam os convidados com um saquinho de arroz na mão, quando pisamos no primeiro degrau uma chuva de arroz surgiu em nós e tudo que fiz foi gritar,
andamos em direção ao carro que já nos esperava com a porta aberta, entramos e o motorista deu partida para o salão de festas.
Quando chegamos todos os convidados estavam nos esperando, andamos no tapete vermelho e ficamos no centro onde dançamos a valsa e cumprimentamos os convidados, a festa seguiu pela madrugada, mas é claro que não ficamos para presenciar até o término, meu marido e eu fomos para um hotel e de lá no dia seguinte iríamos para Europa, precisamente para Inglaterra onde meu amor nasceu.Quando saímos do salão meu coração batia acelerado parecia que ia sair pela boca, minha mão fria assustou meu amor, ele logo perguntou se eu estava bem e eu menti é claro falando que sim, como eu poderia estar bem, não tinha a mínima ideia de como fazer isso, de como agir, repeli esses pensamento e falei pra mim mesma que iria dar certo.
Pegamos o elevador e fomos para o nosso quarto, meu amor abriu a porta do quarto e colocou as malas no canto, virou seu corpo em direção ao meu e caminhou até a mim e com uma das suas mãos pegou minha cintura trazendo meu corpo para mais perto dele e então ele sussurrou em meu ouvido “eu te amo” e nessa hora todo meu medo desapareceu e tudo que eu mais queria era ele. Sorri como forma positiva pelo o que ele disse e então meu corpo não obedecia a minha mente e minhas mãos foram em direção a sua roupa. Eu sabia que aquele momento era mágico simplesmente porque eu estava com o amor da minha vida.
Sophia Bellucci
