Meu coração estava vazio, vazio de amor e implorava para eu viver uma nova paixão.
Como eu queria sair dali, mas não conseguia, sentia que era o meu dever ficar tocar e expressar o que estava me machucando.
Sentia lágrimas escorrerem pelo meu rosto e meu corpo tremia de aflição, meus lábios estavam sedentos por beijos dele e tudo que eu fiz foi repreender os pensamentos.
Depois de um tempo percebi que o sol tinha partido e em seu lugar estavam nuvens que cobriam o céu azul perfeito e o barulho da chuva cobria o som do piano. Comecei a tocar mais alto e tudo que resultava era a sincronia de uma música que apelava pelo amor, por momentos carinhosos.
A chuva caia forte, o vento destruía tudo ao seu redor e em questões de minutos transformou um belo dia em tempestade.
Ele sentou ao meu lado, olhou nos meus olhos e com sua voz aveludada sussurrou “você partiu, partiu para longe de mim” meu coração batia freneticamente, tudo girava em minha volta, nada fazia sentido, tinha receio de me entregar a ele de novo e tudo que eu vivi no passado acontecer novamente, ver meu coração estilhaçado, quebrado e não poder fazer nada além de gritar de dor, aquela dor causada pelo buraco em meu peito.
E agora?
Estava perdida, perdida em uma batalha que eu mesma criei como eu poderia vencer algo tão forte, algo inabalável que era o meu amor por ele.
Queria poder caminhar em direção contrária a dele, ter minha própria jornada, a minha própria história, mas pelo que eu via a minha vida era dele, eu pertencia a ele por completo, cada parte do meu ser era dele e não tinha como lutar contra isso.
Sua presença ali, seu corpo perto do meu me fez temer por não ter controle suficiente e ceder tudo.
Mal percebi que a chuva tinha acabado e o sol começou a reluzir entre as nuvens.
Flashes dos nossos momentos inundaram minha mente enquanto sentia sua mão colocando o meu cabelo para trás da nuca, seus lábios beijavam suavemente meu pescoço, senti o frenesi crescendo dentro de mim e tudo que eu mais cobiçava era ser dele por um pequeno ímpeto.
Suas mãos agora delineavam as minhas costas em direção a cintura, perdi a noção do tempo, minhas mãos tremiam, o piano era só um objeto entre nós.
Não tinha ninguém naquela sala para nos atrapalhar, ninguém para me relembrar o quanto sofri quando ele desapareceu, quando ele não ligou para nós dois.
Era insano eu pensar em alguma coisa, em algum motivo para me distanciar ou aproximar, era insano eu tentar descobrir o que estava prestes acontecer.
Entregar-me seria a pior coisa no momento, fugir seria idiotice, eu queria aquilo, eu queria moldar meus lábios aos dele, eu queria nossos corpos colididos um ao outro, eu queria ele mais do que tudo, mas eu tinha certeza que no fim daquela tarde eu estaria em prantos.
Ele voltou a falar “Querida não tenha medo, eu tenho te amado por mil anos. Eu vou te amar por mais mil” sua voz me embriagava. Não tinha certeza do que ele falava, seria verdade agora?
Meus instintos se entregaram a ele e quando percebi meus lábios tinham colidido aos deles, estavam moldados e agora era tarde. Tudo mudou, meu coração estava completo, o buraco sumira e no lugar o amor reinava, as lágrimas de tristeza foram trocadas pelas de felicidade e nada mais fazia sentido.
Daquele dia em diante eu tinha certeza que meu coração pertencia a ele e nada poderia mudar algo que foi criado para ser assim para todo e sempre.
Camila Maia






